Domingo, 17 de Maio de 2009

Universos paralelos

Então é isso. Fim do espetáculo. As cortinas se fecham e voltamos pra coxia a fim de tirar a maquiagem e em dez segundos já somos normais de novo... É, fim de festa. Recolhemos as latas de cerveja vazia, os pratos, os cinzeiros. Empilhamos na pia e dormimos pq amanhã já é dia.

Fim de férias. É sempre meio igual ao beijo que não se deu, é aquele sentimento de pra onde foi a história quando o filme acabou. Mas...



Muita coisa boa aconteceu e não dá mesmo pra colocar neste blog o quanto foi bom ter passado alguns dias no universo paralelo. Sabia que ia ser bom, mas não imaginava nem um terço. Conheci pessoas incríveis, lugares incríveis, bebidas incríveis, paisagens incríveis, comidas incríveis. E o mais incrível é que mesmo em climão de party every day você começa a ver como sua vida pode ser infinitamente mais simples. Férias pra mim sempre tiveram a conotação de raio-x. É aquele momento que tiro pra mim, mesmo cercada de gente e passo a definir mudanças. Na penúltima, troquei de emprego. Na última, decidi que não faria mais concessões a quem só vive a vida a reclamar. Nesta, porém, resolvi que a pessoa mais importante desse meu mundo sou eu mesma e que daqui pra frente só entra no meu mundo quem for mesmo muito especial.



Esta férias, além de um bronzeado invejável, me trouxeram paz, mas um certo desassossego na alma. Quantas coisas precisam ser modificadas. Já. Mais do que isso: me trouxeram a plena certeza de que amizades são como aquele chocolate que guardamos no armário para os momentos mais amargos. Amizade após os 30 têm uma pegada diferente, pq a gente já não experimenta máscaras pras fraquezas. Elas são jogadas na mesa, junto com a conversa fiada e a caipirinha. Sorrimos, choramos, dizemos coisas duras, com certa franqueza mas aquele sorriso de quem acolhe.



Minhas férias foram em trio. Um trio até certo tempo atrás meio improvável por sermos pessoas tão diferentes. Mas olhar de fora o que formamos me enche de alegria e a tal da paz. Em saber que as experiências ali trocadas vão nos acompanhar pelo resto da vida, mesmo que nossas férias nunca mais rolem juntas. Terá sempre aquele código que a gente cria na hora, frases, músicas, olhares.



Cumplicidade...

* Depois posto musiquinha e vídeo e foto e... êeee

Sábado, 18 de Abril de 2009

Férias

O blog está em férias.
Alice estará pendurada em alguma lamparina pelos lados do litoral baiano.
Até...

´´O correr da vida embrulha tudo, a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é CORAGEM``

Sexta-feira, 3 de Abril de 2009

Toda caixa é de Pandora?

Se você encontrasse agora uma caixa com tudo o que deixou guardado desde a juventude, o que estaria lá dentro? É uma pergunta que vem me atormentando há horas. Quantas coisas podem ter sido embaladas pela covardia? Ou ainda, quantas coisas estão lá porque tive coragem de colocá-las ali para que um dia, talvez, fossem finalmente libertadas? Na minha caixa, provavelmente, tem muitos livros que me acompanharam. Diários de um tempo em que acreditava que folhas secas só caíam no outono, que um amor existia pela vida inteira, que mais tarde as coisas seriam bem mais fáceis. Na minha caixa tem fitas K7 (pra quem não sabe o que é é um dispositivo que guarda as melhores músicas de fossa de sua adolescência se vc nasceu nos anos 70) gravadas da FM, do tempo em que o quarto era refúgio de dias ruins. Deve ter por ali aquela fitinha do Senhor do Bonfim que arrebentou, mas cujo desejo jamais se cumpriu, algumas fotos carcomidas, nas quais já não reconheço a ingenuidade daquele olhar, revistas em quadrinhos, bilhetinhos do correio do amor que jamais foram entregues pelo medo da rejeição. No fundo da minha caixa devem estar as cartas longas, profundas e irrascíveis que escrevi pro menino mais bonito do cursinho de inglês, que jamais se virou na minha direção. Como ele deve estar agora? Provavelmente careca, barrigudo e ainda assim não vai se voltar em minha direção... Tem ali tb umas jóias antiguinhas, presente bem intencionado, porém, equivocado do meu pai. Meu gosto por bijouteria deve ter um cunho psicológico enorme. Só isso pra explicar a minha predileção pelo que vai acabar em qq momento. Se fosse ouro... ah, se fosse ouro duraria pra sempre. Mas como tenho medo do que dura pra sempre. Como aquele tênis incrível que ainda tem um dos pés na cx. Guardei pra lembrar como foi andar com liberdade pela primeira vez. Canetas que jamais usei e perderam a tina, papéis de carta que jamais utilizei para enviar amor, chaveiros que jamais serviram para transportar o chegar e sair, panos que jamais viraram vaidade. Quanta coisa há ali para se lembrar. E esquecer. Se pudesse, o que faria com tudo isso que encontrou? Incinerar? Doar? Restaurar? Será que há restauro para o que ficou enterrado 20 anos? Mas a caixa está ali, na sua frente. Com tudo o que vc quis lembrar e esconder. Que paradoxo é se encontrar consigo mesmo depois de anos de retóricas assumidas e posições radicais. Quem é você, afinal? A poeira daquela caixa ou o que fez após a tampa?

Divide aí comigo
Pra imaginação rolar solta, uma música que faz parte da minha caixa em quadro negro.

Domingo, 22 de Março de 2009

´´ Just 'cause you feel it doesn't mean it's there``



Me arrepiei. Sério. Não que faça a adolescente loka por ídolos, mas seguindo a mesma linha: foi irado, brother!

Não ia ao show. , R$ 200 pratas, fim de mês... Paguei R$ 300 pra ver a namorada de Jesus e só a vi pelo telão. Sim, foi incrível, mas R$ 300 são R$ 300. Decidida estava a beber num boteco na noite de sexta até voltar do bandeijão da firma. Pra quem não sabe, trabalho aqui no Rio num prédio mt próximo à Pça da Apoteose. No último plantão praticamente ouvi todo o set list de Iron Maiden na passagem de som.

Bom, mas na sexta, ao entrar na redação ouvi algo mt familiar: os primeiros acordes de There There . Sim, gte tá tocando! Caralho!!! Radiohead fazendo serenata no meio da tarde. Agora vou ter que ir, disse.

me virei nos trinta. Ou melhor em R$ 150 e comprei o ingresso.

Primeiro Los Hermanos, blasé, low profile e entediados como sempre, mas com um naipe de metais de outro mundo. Depois, Kraftsguenis, por mim totalmente dispensável. E, finalmente, os ingleses!!!!!!!!!! Na segunda ou terceira música, não me lembro por causa da chapação etílica, ouço Thomas Edward "Thom" Yorke pronunciar: There There

IEAH!

Cara, entrei em transe, olhos fechados, deixando que aquele som, que já foi trilha para tantas aventuras e desventuras, se apossasse de mim. Parece estranho, mas foi assim que me senti: servindo de cavalo pra que a música tomasse conta da minha pele. Uma viagem incrível. E, não, não havia tomado nada além de cerveja. Se humana fosse, Alice certamente escolheria There There como tema de suas andanças pelo País das Maravilhas. Soturno, sombrio e lascivo.

O resto foi ótimo tb. E eles até tocaram Creep (sim, eles tocaram!). Ouvi já lá de longe, assim como está longe aquele tempo em que ouvia a letra cantada por um grande amor que o tempo levou. definitivamente, naquele tempo Alice não existia. Ou estava apenas adormecida...

´´ Just 'cause you feel it doesn't mean it's there``

Segunda-feira, 16 de Março de 2009

A primeira vez que não te vi

A primeira vez que não te vi não percebi aquele seu olhar atravessado, enviezado
Na direção do nada
Na direção do tudo
A primeira vez que não te vi não pisei na sua sombra sem disfarçar meu acanhamento
Sorri ao vento
Com batom nos dentes
A primeira vez que não te vi não esbarrei em sua perna e não pedi desculpas, não disse adeus
Até breve
Até nunca mais
A primeira vez que não te vi gostei da sua boca proferindo palavras tolas
Ferindo a língua
Em frases vãs
A primeira vez que não te vi entendi seus pensamentos ordenados em fichas de tópicos
Com acentos
E defesas
A primeira vez que não te vi não acreditei em fantasmas do passado presente
Em tempo
cronológico
A primeira vez que não te vi não aceitei facilmente seus elogios e questões
Esporádicas
Misteriosas
A primeira vez que não te vi nao olhei pra fotografia que fez de si mesmo ao
Se esconder
No espelho
A primeira vez que não te vi te reconheci por seus medos e receios
De se abrir
De existir

Sexta-feira, 13 de Março de 2009

Volta, Alice!

Alice, o que houve?
Po, caí num buraco, topei com o dedo num paralelepípedo e fui parar na fila do SUS.
Td isso procurando o gato?
Nada... o gato sempre me dá rasteiras
Já devia ter se acostumado
E eu lá me acostumo? Meu negócio é permanentemente correr atrás desse gato adepto de substâncias ilícitas
oi?
só pode né? já viu aquele sorriso trincado?
é um desenho, Alice...
Então tb sou, oras.
Não, vc é diferente. Mas penso que deve estar meio trincada ao subir no lustre tb.
eu gosto de me imaginar na tela do cinema
vc e seus devaneios de mocinha
prefiro heroína...
vc tá mais pra vilã, eu acho
Não tenho maltratado ng nos últimos tempos...
Pq quer...
Não, pq não quero.
Vc sempre gostou...
Estou diferente, to dizendo.
Quaresma...
É, minhas artimanhas já não surtem efeitos
bombásticos...
calóricos...
Empíricos
Que falta faz um rodamoinho
Era Doroty, Alice
Somos primas.
Ela ao som de Pink Floyd. Eu, de Radiohead. Quer ver?
Alice, desce do lustre!


Quarta-feira, 25 de Fevereiro de 2009

Pra fechar a folia!

Quem é você?

Adivinha se gosta de mim

Hoje os dois mascarados procuram os seus namorados perguntando assim:

Quem é você, diga logo...

que eu quero saber o seu jogo

que eu quero morrer no seu bloco...

que eu quero me arder no seu fogo

Eu sou seresteiro, poeta e cantor

O meu tempo inteiro, só zombo do amor

Eu tenho um pandeiro

Só quero um violão

Eu nado em dinheiro

Não tenho um tostão...

Fui porta-estandarte, não sei mais dançar

Eu, modéstia à parte, nasci prá sambar

Eu sou tão menina

Meu tempo passou

Eu sou colombina

Eu sou pierrô

Mas é carnaval, não me diga mais quem é você

Amanhã tudo volta ao normal

Deixa a festa acabar,

deixa o barco correr,

deixa o dia raiar

Que hoje eu sou da maneira que você me quer

O que você pedir eu lhe dou

Seja você quem for, seja o que Deus quiser

Seja você quem for, seja o que Deus quiser